Da equipe do SyncGallery

Como montar um backup 3-2-1 para Android com o SyncGallery

Três cópias parece simples. A parte difícil é decidir o que realmente conta como uma cópia independente, qual conexão usar e quais configurações de sincronização poderiam remover silenciosamente a proteção que você pretendia criar.

Um celular enviando cópias separadas para um servidor de armazenamento doméstico e para uma nuvem externa

O que significa 3-2-1

A regra 3-2-1 é uma forma simples de evitar confiar a um único dispositivo, disco ou prédio a sua única cópia de algo importante:

  • 3 cópias: o original mais dois backups.
  • 2 tipos de mídia de armazenamento: para que um tipo de falha não afete tudo.
  • 1 cópia fora do local: fisicamente longe do original.

O Canadian Centre for Cyber Security recomenda exatamente esse arranjo e também recomenda testar o processo de recuperação.

Há um trecho bem apropriado da história da fotografia por trás dessa regra. A formulação 3-2-1 é amplamente atribuída ao fotógrafo Peter Krogh, que a apresentou em The DAM Book: Digital Asset Management for Photographers, publicado pela primeira vez pela O'Reilly em 2005. Era um conselho para fotógrafos que protegiam arquivos de imagens digitais cada vez maiores, incluindo arquivos RAW, antes de virar uma orientação comum em todo o setor de TI. A visão geral de backup para fotografia digital publicada depois por Krogh ainda recomenda um backup 3-2-1 completo para imagens no local onde ficam guardadas a longo prazo.

Para um celular Android, uma versão prática fica assim:

  1. Cópia de trabalho: o celular Android.
  2. Backup local: regra 1 do SyncGallery -> PC ou NAS em casa.
  3. Backup externo: regra 2 do SyncGallery -> armazenamento na nuvem fora de casa.

O celular contém os arquivos que você usa. Um PC ou NAS oferece uma cópia próxima, rápida de restaurar. Uma conta na nuvem oferece uma cópia fora de casa, para que perder o celular e o armazenamento local no mesmo incidente não elimine todas as cópias.

Isso funciona para uma pasta da câmera, vários álbuns de fotos ou uma pasta comum, como Documents.

Se você quer a receita prática mais simples, use o celular como cópia de trabalho, um compartilhamento SMB em um PC ou NAS como cópia próxima e uma das conexões diretas com a nuvem do SyncGallery como cópia externa. Crie duas regras Apenas enviar para a nuvem por pasta para a mesma origem, desative a exclusão remota nas duas e depois teste a restauração de um arquivo de cada destino.

Primeiro, decida o que conta como cópia

As três cópias precisam ser realmente separadas.

  • O mesmo arquivo em duas pastas de um mesmo disco continua vulnerável a uma falha desse disco.
  • Um celular e um NAS na mesma casa são duas cópias, mas nenhuma delas está fora do local.
  • Um servidor Nextcloud auto-hospedado rodando nesse mesmo NAS é prático, mas continua no local.
  • Uma pasta na nuvem que é só uma visualização do mesmo armazenamento do NAS não é uma terceira cópia independente.

Escolha o destino local

O SyncGallery pode se conectar diretamente a um PC, NAS ou servidor auto-hospedado por SMB, SFTP, FTP/FTPS, WebDAV ou Nextcloud. A melhor escolha depende do que o seu armazenamento já suporta.

SMB: a escolha simples em uma rede doméstica

Escolha SMB quando o seu PC com Windows ou o seu NAS já disponibilizam uma pasta compartilhada e o celular vai enviar os arquivos enquanto estiver na rede de casa. Normalmente é o caminho mais curto do celular para o armazenamento local.

Mantenha o SMB na rede local ou acesse-o por uma VPN bem configurada. Não exponha a porta SMB 445 padrão diretamente à internet. A Microsoft recomenda bloquear o acesso SMB de entrada vindo da internet.

O SyncGallery consegue navegar e transferir arquivos por SMB, mas a integração SMB não oferece miniaturas de mídia geradas pelo servidor. Se você tem instantâneos, lixeira ou histórico de versões depende do PC ou NAS por trás do compartilhamento.

Nextcloud: mais configuração, mais conforto

Se você já hospeda um Nextcloud, ou se sente à vontade para mantê-lo, use a conexão Nextcloud dedicada do SyncGallery em vez de tratar o servidor como um WebDAV genérico.

Essa conexão pode solicitar miniaturas geradas pelo servidor, então navegar pelas fotos remotas fica mais confortável e não exige baixar cada imagem completa só para mostrar uma prévia. O Nextcloud documenta como o sistema de prévias gera miniaturas. O suporte exato a prévias ainda depende da configuração do servidor e do tipo de arquivo.

O Nextcloud também pode adicionar recursos de recuperação no lado do servidor. O app Versions pode manter conteúdos antigos de arquivos, e o app Deleted Files pode reter itens excluídos. Esses recursos têm limites de armazenamento e retenção configurável, então verifique como o seu servidor está configurado.

O Nextcloud não fica automaticamente fora do local. Se ele roda no mesmo NAS, na mesma casa, trate-o como a cópia local.

SFTP, WebDAV e FTPS: alternativas úteis

Escolha SFTP quando o servidor já oferece acesso SSH. Escolha WebDAV quando o NAS, o servidor ou o provedor de armazenamento disponibiliza um endpoint HTTPS seguro. Escolha FTPS quando o FTP é a opção disponível, mas o servidor suporta TLS.

No WebDAV, use um endereço https://. O padrão WebDAV desaconselha enviar senhas por uma conexão insegura, e o Nextcloud também recomenda HTTPS para WebDAV.

Evite o FTP simples, a menos que você esteja em uma rede isolada e confiável e não tenha opção melhor. O FTP padrão envia senhas e dados de arquivos sem criptografia, como explica a RFC 2577. O SyncGallery suporta FTPS explícito e FTPS implícito, que são escolhas melhores quando o servidor os oferece.

As conexões genéricas SMB, SFTP, FTP/FTPS e WebDAV não dão ao SyncGallery uma API de miniaturas do servidor. Mesmo assim, elas conseguem transferir os arquivos originais. O histórico de versões e a recuperação de arquivos excluídos, se houver, vêm do sistema de armazenamento por trás do protocolo.

Escolha o destino externo

O SyncGallery tem conexões diretas com OneDrive, Google Drive, Dropbox, Yandex Disk e pCloud. Ele também pode usar outro provedor quando esse provedor oferece acesso compatível por SFTP, FTP/FTPS ou WebDAV.

Se você já paga por um serviço de nuvem e confia nele, normalmente esse é o lugar mais fácil para começar. Verifique quatro coisas antes de depender dele:

  1. Você tem espaço suficiente para a pasta completa, incluindo o crescimento futuro.
  2. Sua conta usa uma senha forte e exclusiva e autenticação multifator.
  3. Você sabe se o provedor mantém arquivos excluídos e versões antigas.
  4. Você já baixou e abriu com sucesso um arquivo de teste restaurado.

O histórico de versões é valioso porque uma regra somente de envio ainda pode substituir um bom arquivo remoto por uma edição posterior danificada ou indesejada. As políticas atuais variam:

  • O histórico de versões do OneDrive suporta todos os tipos de arquivo, incluindo fotos e vídeos, e a Microsoft informa atualmente um período de retenção de 30 dias.
  • O Google Drive diz que uma versão de arquivo pode ser excluída permanentemente depois de 30 dias ou depois de 100 versões mais recentes, a menos que você selecione Manter para sempre.
  • O Dropbox oferece atualmente 30, 180 ou 365 dias de histórico de versões, dependendo do plano.
  • O Yandex Disk também oferece histórico de arquivos, mas a disponibilidade e a retenção podem depender da conta e do plano. Verifique a política mostrada para a sua conta antes de depender dela.

Essas políticas podem mudar. Elas pertencem ao provedor de armazenamento, não ao SyncGallery.

Crie a primeira regra para o PC ou NAS

Comece com uma pasta pequena e não crítica, para poder ver todas as configurações e testar uma restauração.

  1. Adicione a conta do PC, NAS ou Nextcloud ao SyncGallery.
  2. Crie uma nova regra e escolha Apenas enviar para a nuvem. A interface usa a palavra nuvem tanto para serviços de nuvem quanto para armazenamento em rede.
  3. Escolha Sincronizar a pasta ou os álbuns que eu selecionar abaixo para que os novos arquivos correspondentes sejam incluídos automaticamente.
  4. Selecione a pasta do dispositivo. Para fotos, pode ser DCIM/Camera. Para outros arquivos, pode ser Documents.
  5. Selecione uma pasta de destino dedicada no PC ou NAS.
  6. Ative Monitorar subpastas se a origem tiver pastas dentro dela.
  7. Desative Excluir na nuvem quando o arquivo do dispositivo for excluído.
  8. Salve a regra e revise a primeira verificação antes de aprovar os uploads planejados.

Desativar a exclusão remota é importante. Se uma foto for excluída do celular por engano, a cópia do backup local deve continuar disponível.

Crie a segunda regra para a nuvem externa

Crie outra regra para a mesma pasta de origem, mas selecione a conta da nuvem e uma pasta dedicada na nuvem como destino. Use as mesmas configurações de somente envio, por pasta, de subpastas e de exclusão.

É uma regra separada, então cada destino tem a própria verificação, histórico de tarefas, erros e prévia da primeira sincronização. Um upload bem-sucedido para o NAS não prova que o upload para a nuvem também deu certo. Confira as duas regras.

Tela Regras do SyncGallery mostrando a pasta Documents enviada separadamente para um servidor SMB e para o Dropbox
Duas regras independentes somente de envio protegem a mesma pasta Documents: uma envia os arquivos para o armazenamento SMB local e a outra para o Dropbox.

Configure fotos, vídeos ou qualquer outra pasta

Para uma biblioteca de mídia, escolha Somente fotos e vídeos. Se o seu editor cria metadados sidecar, escolha Fotos, vídeos e metadados sidecar (XMP).

Para Documents ou outra pasta geral:

  1. Escolha Todos os arquivos que correspondem a padrões personalizados.
  2. Adicione o padrão de inclusão * para incluir arquivos com e sem extensão.
  3. Adicione exclusões só quando entender o que será deixado de fora. Por exemplo, *.tmp exclui arquivos temporários.
  4. Conceda o Acesso a todos os arquivos quando o Android pedir. O SyncGallery precisa dele para processar arquivos que não são de mídia em pastas quaisquer.

Não use *.* quando também precisar de arquivos sem extensão. No SyncGallery, *.* significa apenas nomes que contêm uma extensão.

Decida o que deve acontecer com arquivos editados

A configuração Atualizar arquivos na nuvem quando modificados no dispositivo merece uma escolha consciente nas duas regras.

  • Ativada: as edições posteriores são copiadas para o destino. Isso mantém o backup atualizado, mas o novo conteúdo pode substituir o conteúdo remoto anterior. Instantâneos ou histórico de versões no destino se tornam importantes.
  • Desativada: o conteúdo enviado primeiro continua inalterado, mas as edições posteriores não têm backup por essa regra.

Para a maioria das pessoas, deixar a opção ativada e escolher destinos com histórico de versões ou instantâneos é o equilíbrio mais útil. Isso protege tanto o arquivo atual quanto os conteúdos anteriores recentes.

Você também pode ativar Reenviar para a nuvem se o arquivo tiver sido excluído lá quando o celular for a referência e você quiser que o SyncGallery restaure uma cópia atual excluída remotamente. Não ative essa opção se você pretende gerenciar ou remover arquivos intencionalmente no destino.

Para entender a diferença entre sincronização do estado atual e histórico recuperável, veja Sincronização x backup: o que o SyncGallery faz e o que não faz.

Configurações somente de envio do SyncGallery com a exclusão remota desativada e as atualizações remotas ativadas
A exclusão remota está desativada, enquanto os arquivos editados no dispositivo são enviados e as cópias excluídas remotamente são criadas de novo.

Teste a configuração antes de confiar nela

Um backup só é útil se você conseguir restaurá-lo. Depois que as duas primeiras verificações terminarem:

  1. Confira o histórico de tarefas de cada regra e confirme que não há uploads com falha.
  2. Abra o destino no NAS ou PC de forma independente e confirme que os arquivos de teste existem.
  3. Entre na nuvem pelo site e confirme que os mesmos arquivos existem lá.
  4. Baixe um arquivo de cada destino para outra pasta.
  5. Abra as cópias restauradas e verifique se uma foto, um vídeo ou um documento pode ser lido.
  6. Edite um arquivo de teste e confirme que o comportamento de atualização corresponde à sua escolha.
  7. Exclua um arquivo de teste do celular e confirme que as duas cópias de backup continuam existindo.
  8. Se o destino oferecer histórico de versões, restaure também uma versão de teste anterior.

Repita um pequeno teste de restauração de vez em quando. Confira também o SyncGallery depois de trocas de senha, atualizações do servidor, longos períodos longe da rede de casa ou mudanças nas configurações de bateria do Android.

O que esta configuração protege, e o que não protege

Este arranjo protege contra falhas comuns:

  • Um celular perdido ou quebrado pode ser restaurado a partir do NAS ou da nuvem.
  • Um disco local com falha ainda deixa o celular e a cópia externa.
  • Um incêndio, roubo ou problema elétrico em casa ainda deixa a cópia externa.
  • Uma exclusão normal no celular não se propaga quando a exclusão remota está desativada.

Ela não é, por si só, um sistema completo de backup com versões. O SyncGallery acompanha as relações atuais entre arquivos e o histórico de transferências, mas não mantém pontos de restauração nem um catálogo de retenção próprios. Uma edição corrompida ou indesejada ainda pode chegar aos dois destinos quando as atualizações remotas estão ativadas. Use instantâneos do NAS, o Nextcloud Versions ou o histórico de versões da nuvem quando os conteúdos anteriores dos arquivos importarem.

O melhor jeito de entender o resultado é como duas regras de envio independentes, semelhantes a backup, formando um arranjo 3-2-1 prático. O último passo é o que as pessoas mais pulam: prove que você consegue restaurar um arquivo antes do dia em que realmente precisar.

Leitura adicional

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